quarta-feira, 23 de novembro de 2011

HISTÓRIA DO DESIGN

Design no Século XIX
2.1 O Design Vitoriano 1835 a 1903
A Rainha Vitória (1837-1907) da Grã Bretanha marcou uma era muito importante para a cultura inglesa: a Era Vitoriana. No seu reinado as artes, as ciências e a tecnologia foram desenvolvidas em um espaço de tensão entre a tradição do passado e a modernidade. O estilo vitoriano, do qual os ingleses se orgulharam, se estendia aos objetos, móveis, roupa, tecidos, gráfica, arte, arquitetura, paisagismo e design de interiores. Sua influencia chegou a muitos outros continentes e durou mais de um século.  
 O pensamento de John Ruskin (1819-1900), crítico de arte e medievalista, as obras de A.W. Pugin (1812-1852) arquiteto e designer e de William Morris (1834-1896) tiveram uma grande influencia sobre o design vitoriano. Todos eles proclamaram a importância da relação entre arquitetura e design que existia na cultura clássica greco-romana e medieval. Este saudosismo de tempos passados, era parte da cultura romântica da época, mas também revelava o medo do presente e do futuro cada vez mais tomado pelas máquinas de ferro.
A sociedade industrial era orgulhosa do progresso material que trazia a Revolução Industrial. Mas muitos pensavam que este progresso material deixava de lado as preocupações espirituais e que assim ameaçava o tecido social. Ruskin encontrava na arte a possibilidade de devolver o equilíbrio entre o progresso material e espiritual. Ele escreveu muitos livros de história e crítica de arte que o gosto vitoriano encontrava moralmente edificante. Estes livros instruíram á classe média britânica na idéia da arte como reflexo das condições morais de uma sociedade: "o sinal visível da virtude nacional".(EFLAND, A., 1990).
Ruskin via a arte como a imitação da natureza, além disto devia proporcionar também prazer. Mas aquilo que tornava um objeto em uma obra de arte era o propósito moral: a maior quantidade de grandes idéias. Para Ruskin as obras de arte são encontros com as grandes idéias. Por causa disto ele defendia a importância de viver em ambientes altamente estéticos

O arquiteto Pugin levou as idéias de Ruskin ao plano do design. Como Ruskin, Pugin propunha um design baseado na utopia regressiva do retorno à beleza da natureza, em oposição ás novas tendências que exaltavam a beleza das máquinas. Eles sentiam aversão pelas tendências arquitetônicas marcadas pelo Palácio de Cristal.  Para Ruskin e Pugin a beleza devia expressar uma função social: "só pode ser belo aquilo que é bom", esta era uma idéia medieval que explicava a beleza como a materialização do bem. (ECO, U.2007)
Nas artes, o movimento Pré-rafaelista, que tentava retornar á simplicidade e sinceridade da arte foi o que melhor representou a estética e moral vitoriana.   
O gosto vitoriano cresceu no coração da burguesia britânica do século XIX. Na arquitetura, na decoração, no paisagismo e nas artes gráficas e nos objetos predominaram as formas orgânicas estilizadas de linhas marcadas e os arabescos com decoração austera e volumes geométricos.

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  2.2. O movimento Arts and Crafts
 Assim como para Ruskin e Pugin, para William Morris o retorno ao sistema dos grêmios da Idade Média e o retorno à vida em contato com a natureza eram as únicas saídas da alienação das metrópoles, da fria e artificiosa beleza do ferro, da produção industrial em série e da miséria causada pela exploração e pelo trabalho mecanizado das fábricas (ECO, 2007).
 Movido por estas idéias iniciou o movimento Arts and Crafts (Artes e Ofícios) e fundou em 1861 junto ao arquiteto Philiph Webb e outros associados, um estúdio de design com o propósito de restabelecer os laços entre o trabalho belo e o trabalhador e voltar á honestidade do design que a produção em massa negava. O estúdio de Morris e Webb ficou conhecido pela idéia da casa como uma obra de arte total, com todos os objetos desenhados pelos arquitetos e realizados por artesãos experientes usando métodos tradicionais e se inspirando na natureza.
O design do movimento Arts and Crafts se caracterizou pela:
·         simplicidade vs. complexidade no ornamento
·         sistema de grêmios vs. sistema industrial
·         acabado artesanal vs. acabado industrial
  A missão social do movimento era dar solução aos males da Revolução Industrial: melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, levar a cultura a todos e restabelecer a união das artes e os ofícios perdida desde o Renascimento.
Todas as peças feitas nos estúdios do Arts and Crafts seguiam os princípios estabelecidos por Morris:
·         considerar o material (qualidade e nobreza)
·         considerar o uso (função)
·         considerar a construção (design)
·         considerar a ferramenta (técnica)
 
Charles Robert Ashbee
O movimento Arts anda Crafts de Morris teve o apóio da monarquia vitoriana e teve grande sucesso entre a burguesia rica. A marca registrada da oficina de Morris e arquitetos era a alta qualidade artesanal dos produtos. Isto encarecia muito os objetos frente àqueles que produziam as fábricas. O sonho de Morris de oferecer ambientes e objetos altamente estéticos a todos não era possível. Só os ricos podiam comprá-los. Mas o gosto pelos objetos Arts and Crafts cresceu e se estendeu na Alemanha e nos Estados Unidos onde se publicaram revistas especializadas que atingiam um grande público feminino.

Design de interiores 1884 para a revista Arts and Crafts de Munich,Alemanha
 
Catalogo de cadeiras Thonet
As idéias do movimento Arts and Crafts, os ventos românticos e a veloz modernização da Europa no final do século XIX inspiraram na França um movimento ainda maior e mais abrangente.
  2.3. O Modernismo ou Art Nouveau 1890 - 1918
O movimento do Art Nouveau se iniciou na França e se expandiu por toda a Europa convertendo-se em um estilo internacional. Em inglês se conheceu como Modern Style, em espanhol e português como Modernismo, em alemão como Jugenstil e em italiano como Liberty ou Estilo Floreale.
Este movimento esta estreitamente ligada às correntes artísticas de fim de século que promoveram a imaginação, a expressão e o simbolismo na arte, mas também à produção industrial em série e ao uso de materiais modernos como o ferro, vidro e cimento. À diferença do movimento Arts and Crafts, o movimento francês do Art Nouveau valorizava a racionalidade da ciência e da engenharia e acompanhava o crescimento da burguesia. Era uma nova geração que tinha nascido e crescido nas metrópoles. Desta maneira o Art Nouveau estabeleceu uma articulação estreita entre arte e indústria resultando numa alta qualidade estética dos objetos.
O Art Nouveau foi o primeiro fenômeno de moda em que as tendências da arte era aplicadas aos objetos. Moderno significa novo, atual. A moda é uma novidade que toma conta de todos os aspectos da vida. Isto foi possível no contexto de uma sociedade que já contava com uma rápida propagação das idéias e os costumes pelos meios de transporte e comunicação e que contava com um mercado entusiasmado pelo consumo das novidades modernas.

As linhas curvas, os arabescos, as formas orgânicas e geométricas e os motivos florais que caracterizaram o estilo do movimento Arts and Crafts se fizeram mais atrevidas e sensuais no Art Nouveau. Arquitetura, móveis, objetos, jóias, roupa, máquinas, móveis urbanos, tudo se vestiu de linhas onduladas como as entradas do Metrô  de Paris de Henry Guimard ou o Parque Guell de Gaudi. Era uma geração que aceitava a máquina, mas a vestia de adornos floridos para naturalizá-la. A máquina de costura Singer, que foi uma das peças mais vendidas na história do comércio e que até hoje funcionam em alguns cantos domésticos do mundo, são a evidencia do desejo de esconder a frieza do ferro e das máquinas com formas e ornamentos que lembravam a natureza. Era a forma que os modernistas tinham encontrado para aceitar o peso da civilização industrial e que os idealistas ingleses do Arts and Crafts recusavam assimilar.

O nome de Belle Èpoque corresponde a uma época de grande otimismo no futuro da civilização. Uma onda positiva que deu origem ao pensamento Positivista na filosofia de ocidente (ver também materialismo, evolucionismo, marxismo e determinismo na filosofia) e na perspectiva dos que desfrutavam dos prazeres e luxos da modernidade. Mas o que acontecia nas ruas pobres de Paris e de outras metrópoles européias estava longe de ser uma bela época, a situação iria detonar em poucos anos as certezas da razão que na época se encontrava na ciência, nas máquinas e no sistema de produção capitalista. O Art Nouveau foi um sucesso enquanto durou a Belle Époque mas se restringia às ruas dos bairros ricos e ao consumo da burguesia ascendente. Na virada do século com a iminência de uma guerra de grandes proporções o movimento diminuiu a sua força. Com a Primeira Guerra Mundial o movimento se centrou nos Estados Unidos e nos anos 20 derivou no estilo decorativo chamado Art Deco.
No Brasil a arquitetura e os objetos Art Nouveau ou Modernistas chegaram no começo do século XX com as muitas novidades modernas de Ocidente. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus se levantaram obras arquitetônicas das quais só restam algumas como a casa Vila Penteado desenhada por Carlos Eckman e que agora é a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
O movimento artístico Modernista da Semana de 22 não faz parte desta influencia. Ela tem origem nas correntes artísticas da segunda década do século XX. Embora originadas no Art Nouveau ou Modernismo a Arte Moderna do seguinte século difere em propósito e estética daquela que floresceu na Belle Èpoque.
‘A jovem indústria européia, à procura de uma estética complacente e complacida, encontra no  Modernismo uma forma de representação orgânica que desde a arquitetura ao livro, do mobiliário à joalheria, dos objetos de uso cotidiano à escultura decorativa ou ao cartaz, proporciona uma resposta plástica coerente e amável, à exata e precisa medida das suas ambições pequeno-burguesas”. (tradução minha)
"El diseño gráfico, desde los orígenes hasta nuestros días", por Enric Satué

Fontes:
BURDEK, Bernhard E. Diseño: Historia, teoría y práctica del diseño industrial. Barcelona: Gustavo Gili, 1994..
ARGAN, Giulio Carlo. Historia da Arte Moderna, do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos Companhia das Letras, São Paulo, 1992.
ECO, Umberto. História de la Belleza. Barcelona: Editora Lumen. 2007.

Perspectivas do Design no Século XXI – O Modelo Ideal

No século XX, tiveram inicio os primeiros movimentos artísticos voltados para o design gráfico com o Cubismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo, Construtivismo, cada um com seus próprios padrões.  Esse período também foi marcado por um influente movimento chamado De Stijl e pelo Bauhaus que além de movimento era também uma escola voltada para as artes.
De Stijl (O Estilo) além de revista foi um movimento iniciado na Holanda em que artistas buscavam a purificação de seus trabalhos e teve papel importante na formação da arte do século XX. Influenciou na questão da divisão do espaço com o uso de linhas para que um equilíbrio fosse alcançado na arte, dando ao leitor uma boa visualização e organizando o mostrado. Van Doesburg um design do movimento dizia que “o contraste é a marca do nosso tempo”, ou seja, é muito importante saber contrastar os tons, as cores, e até os dias de hoje isso é utilizado no trabalho artístico para que seja um diferencial em relação aos outros.
A escola de Bauhaus foi a que mais impactou o design do século XX. Inicialmente era voltada para arquitetos, escultores e pintores, mas teve a ousadia de testar novas formas de arte como a tipografia usada e foi grande influencia para a mídia impressa. A Bauhaus queria criar uma nova arquitetura através de seu movimento. A escola conseguiu e alguns anos depois começou a ver o resultado do seu estilo criado em capas de revistas, folhetos e livros. Esse movimento utilizava as cores primárias – vermelho, amarelo e azul, trouxe também o uso de letras fáceis para a montagem e que facilitavam a leitura, outra grande influencia para os designers modernos.
Estamos no século XXI, e um grande marco para o design desse século são as influencias de ambas as escolas, como o traçado para separar as noticias (De Stijl), as letras “limpas” para uma boa visualização e leitura (Bauhaus).
Um exemplo e uma tendência a ser seguida por outros meios e que pode influenciar na formatação do design moderno é o site Estadão (www.estadão.com.br). Ele faz a utilização de cores quentes (ex: laranja) e frias (ex: azul) para separar os tipos de noticias, as manchetes são bem divididas com linhas imaginárias (ou não) facilitando saber onde começa e termina a chamada, é um site claro quando se vê a primeira vez, facilita ao leitor ir exatamente na noticia de seu interesse (economia, política, tecnologia, saúde...), é simétrico (bem dividido), e uma das observações mais importantes é que tudo isso está dentro do formato utilizado e são tendências das escolas De Stijl e Bauhaus e dos movimentos artísticos.

Por Samanta Vercelini Siepierski

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Foto dos alunos no 1º semestre de jornalismo em 2009

RESUMO DO CAPÍTULO XVII DO LIVRO CIBERCULTURA

FUNÇÕES DO PENSAMENTO CRÍTICO
A crítica progressista esforça-se para trazer à tona os aspectos mais positivos e originais das evoluções em andamento.No entanto, muitos discursos que se apresentam como críticos são apenas cegos e conservadores. Por conhecerem mal as transformações em andamento, não produzem conceitos originais, adaptados à especificidade da cibercultura. Critica-se a “ideologia (ou utopia) da comunicação” sem se fazer distinção entre televisão e internet.

Deplora-se a confusão crescente entre o real e o virtual sem nada se entender sobre virtualização, que pode ser tudo menos uma desrealização do mundo – seria antes uma extensão do potencial do humano¹. É urgente, inclusive para a própria crítica, empreender a crítica de um “gênero crítico” desestabilizado pela nova ecologia da comunicação. É preciso interrogar hábitos e reflexos mentais cada vez menos adequados às questões contemporâneas.
¹Ver Pierre Lévy, O que é virtual?, op. cit., onde essa questão é abordada de um ponto de vista antropológico.

CRÍTICA DO TOTALITARISMO OU TEMOR DA DESTOTALIZAÇÃO?
A idéia segundo a qual o desenvolvimento do ciberespaço ameaça a civilização e os valores humanistas apóia-se em grande parte na confusão entre universalidade e totalidade. Ficamos desconfiados daquilo que se apresenta como universal porque, quase sempre, o universalismo foi difundido por impérios conquistadores, pretendentes ao domínio, fosse esse domínio temporal ou espiritual. Ora, o ciberespaço, ao menos até o momento, é mais acolhedor do que dominador. Aqueles que vêem no ciberespaço um perigo de “totalitarismo” estão basicamente cometendo um erro de diagnóstico.
[...] a televisão e a imprensa são instrumentos de manipulação e de desinformação muitos mais eficazes do que a Internet, já que pode impor “uma” visão da realidade e proibir a resposta, a crítica e o confronto entre posições divergentes.
Mais uma vez, associar uma ameaça totalitária à cibercultura advém de uma profunda incompreensão a respeito de sua natureza e do processo que governa a sua extensão.

O que amedronta de fato os críticos profissionais não seria exatamente a destotalização em andamento? A condenação dos novos meios de comunicação interativos e transversais não ecoa um bom e velho desejo de ordem e de autoridade?
Os guardiões do bom gosto, os avalistas da qualidade, os intermediários obrigatórios, os porta-vozes vêem suas posições ameaçadas pelo estabelecimento de relações cada vez mais diretas entre produtores e usuários de informação.

Há textos circulando em grande escala no mundo inteiro pelo ciberespaço sem que nunca tenham passado pelas mãos de qualquer editor ou redator.
A apropriação dos conhecimentos se libertará cada vez mais das restrições colocadas pelas instituições de ensino, já que as fontes vivas do saber estarão diretamente acessíveis e os indivíduos terão a possibilidade de integrar-se a comunidades virtuais consagradas à aprendizagem cooperativa.
Numerosas posições de poder e diversos “trabalhos” encontram-se ameaçados. Mas se souberem reinventar sua função para transformarem-se em animadores dos processos de inteligência coletiva, os indivíduos e os grupos que desempenham os papeis de intermediários podem passar a ter um papel na nova civilização, ainda mais importante do que o anterior.
O ciberespaço não muda em nada o fato de que há relações de poder e desigualdades econômicas entre humanos.
A crítica pensa estar fundamentada ao denunciar um “totalitarismo” ameaçador e ao anunciar-se com porta-voz de “excluídos” aos quais, por sinal, ela nunca pergunta a opinião. Tudo isso nos atrasa na invenção da nova civilização do universal por contato e em nada nos ajuda a orientá-la na direção mais humana.

A CRÍTICA ERA PROGRESSISTA. ESTARIA TORNANDO-SE CONVSERVAORA?
Á procura do espetacular e do sensacional, as mídias contemporâneas não param de apresentar os aspectos mais sombrios da atualidade, colocam constantemente os políticos na roda, fazem questão de denunciar os “perigos” ou os efeitos negativos da globalização econômica e do desenvolvimento tecnológico: jogam com o medo, um dos sentimentos mais fáceis de incitar.

Os intelectuais e demais pensadores deveriam, então, abandonar toda e qualquer perspectiva de crítica? De forma alguma. Mas é preciso compreender que a atitude crítica em si, simples reminiscência ou paródia da grande crítica dos séculos XVIII e XIX, não e mais uma garantia de abertura cognitiva nem de progresso humano. É preciso agora distinguir cuidadosamente entre, de um lado, a crítica reativa, midiática, convencional, conservadora, álibi dos poderes estabelecidos e da preguiça intelectual e, por outro lado, uma crítica atuante, imaginativa, voltada para o futuro, que acompanham movimento social. Nem toda crítica pensa.

AMBIVALÊNCIA DA POTÊNCIA
A aceleração contemporânea da corrida virtual e o universal não pode ser reduzida nem ao “impacto social das novas tecnologias” nem ao advento de uma dominação em particular, seja ela econômica, política ou social.

Trata-se ante de um movimento do conjunto da civilização, de uma espécie de mutação antropológica na qual se conjugam, ao lado da extensão do ciberespaço, o crescimento demográfico, a urbanização, o aumento da densidade das redes de transporte (e o aumento correlacionado da circulação de pessoas), o desenvolvimento tecno-científico, a elevação (desigual) do nível de educação da população, a onipresença midiática, a globalização da produção e das trocas, a integração financeira internacional, a ascensão de grandes conjuntos políticos transnacionais, sem esquecer a evolução das idéias tendendo a uma tomada de consciência global da humanidade e do planeta.

Essa invenção progressista da essência do homem, em andamento neste momento, não promete de forma alguma, unilateralmente, um futuro radiante nem tampouco uma felicidade maior. As tendências universalizantes e virtualizantes são acompanhadas por um aumento das desigualdades entre pobres e os favorecidos. [...] entre os participantes do universal e seus excluídos. Elas interrompem ou marginalizam transmissões seculares, enfraquecem os estilos de vida locais que pertencem ao mais precioso patrimônio da espécie, desestabilizam violentamente os imaginários que organizam as subjetividades.

A passagem pelo virtual é, portanto, um desvio, um acúmulo tendo em vista atualizações mais numerosas e mais fortes. O temor de uma “desrealização do mundo” é infundado.
O universal aberto, sem totalidade, da cibercultura acolhe e valoriza as singularidades, oferece a muitos o acesso à expressão.
Mas as potencialidades positivas da cibercultura, ainda que conduzam a novas potências do humano, em nada garantem a paz ou a felicidade.

Por Alisson Andrade